5 de jan de 2010

Um prêmio e um castigo.

     Este blog foi criado há mais de dois anos atrás, exatamente no dia 14 de fevereiro de 2008, e embora a idéia de nele escrever os meus textos/pensamentos seja inclusive anterior à sua criação, somente ontem obtive permissão para torná-lo funcional e não apenas um endereço na internet sem conteúdo algum.
     Tal permissão obtive, não sem conflito, após longo tempo de caloroso debate entre um lado meu, que pensa, - e com o qual sempre convivi relativamente bem, diga-se de passagem; e um outro lado, que há bem pouco tempo tive o desejo vivo de desenvolver em mim e que, certamente, foi o responsável pelo feito de hoje: o lado que faz.
     Ocorre que sou daquele tipo de criatura que pensa demais e que assim, pensando demais, acaba não colocando em prática um décimo do que tem em mente. Tal fato também se deve a uma exigência muito grande que tenho para comigo mesma e faz com que eu jamais julgue bom o bastante qualquer um dos trabalhos que realizo após concluído. Exemplo disso é que, certamente, ao acabar esse post, eu o lerei algumas várias vezes, substituirei algumas palavras e, ao finalmente postá-lo, terei novas idéias a acrescentar-lhe de maneira que, de posse de mais tempo, o reescreveria várias vezes até decidir  inteligentemente  engavetá-lo para todo o sempre, (ou, nesse caso, armazená-lo).
     Para me permitir criar conteúdo aqui, disse a mim que não o faria em caráter de permanência, isto é, como se os pensamentos que aqui pretendo registrar, expressassem algum tipo de verdade/opinião imutável na qual acredito. Não se trata disso de modo algum. É, antes de tudo, um registro de pequena parcela das discussões que tenho comigo em vários momentos do dia, - e da noite. Como estas discussões nunca céssam, não sou pessoa dada à uma rigidez no plano das idéias e estou sempre em busca de pensamentos, fatos e opiniões que me tornem uma pessoa capaz de adquirir uma visão mais tolerante e positiva diante de acontecimentos e visões que me fazem pensar de modo absolutamente oposto. 
     Expressar aqui uma pequena fração de mim é um prêmio e um castigo. Um castigo porque fere o meu perfeccionismo paralisante. Um prêmio porque me liberta. Ao escoar aqui uma parte desse fluxo incessante de idéias que me cerca, organizo e acompanho algo que já não é única e exclusivamente meu, como as centenas de folhas de papel empoeiradas que acumulo há mais de 17 anos sem utilidade alguma em meu quarto e das quais simplesmente nunca consegui me livrar; talvez por cultivar a esperança de que um dia eu pudesse fazer algo como faço agora.

     Sejam todos bem-vindos(as)!