28 de fev de 2016

“O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons”. Martin Luther King

Não tente ser dono da razão, é uma causa perdida. Não porque os outros estejam certos ou errados, mas porque a razão deriva de um estado mental de identificação com o pequeno eu, que é sempre limitado. Existem tantas teses, teorias, pensamentos, filosofias e formas de ver quanto existem bilhões de pessoas diferentes no planeta, porque justamente a sua haveria de ser a correta?

Entretanto, não se exaspere. Existe um espaço comum a todos aqueles que conseguiram ultrapassar os limites da mente e da própria morte. Nesse espaço cessa toda a luta e a necessidade de estar certo ou ter razão. Tudo simplesmente é. É desse espaço que nascem os mais lindos exemplos de vida que dão origem às religiões, que nada mais são do que relatos para lembrar à humanidade de seu estado natural de paz e de unidade com o Todo.

Todas as tradições contém métodos para atingir esse espaço, seja através da oração, da meditação, da concentração, da música, dentre tantas outras formas de atingir um estado superior ao da mente ordinária, que está sempre girando em torno dos mesmos temas e velhos condicionamentos.
É da própria natureza da mente produzir personalidades belicosas que lutam para impedir o novo através da força, penetrando através da fragilidade humana e estimulando nas outras os piores sentimentos e fazendo-as crerem que ao lado dessas personalidades estarão protegidas das consequências de suas próprias falhas, muitas vezes colocando um deus castigador que pune a todos os que ousam desobedecer às leis. Leis que são uma forma humana de transformar ensinamentos de seres incompreendidos em formas de controle social e de poder uns sobre os outros, visto que esse seres jamais lutaram para ter poder, mas tiveram todo o poder sobre si mesmos simplesmente por serem eles mesmos, enfrentando na maioria das vezes o status quo de sociedades marcadas pelo autoritarismo e contrárias a todo e qualquer tipo de mudanças, ou seja, enfrentando o abuso de poder desse mesmo tipo de personalidade que se apropria das ideias alheias para governar em benefício de si mesma.

Essa aproximação da religião com a política que vemos hoje no Brasil não é nenhuma novidade, é a estratégia dos que governam o mundo manipular a culpa e a escuridão da humanidade em benefício próprio. E cada defensor dessa ideologia é nada mais do que uma mente sem auto-referência que busca no outro a luz que não pode encontrar por si mesma pois ninguém jamais lhe contou que pode ser encontrada dessa maneira, nesse espaço interno onde podemos encontrar a nossa real conexão com o divino, sem intérpretes, sem tradutores, sem manipuladores.

É a mente, através da culpa empurrada pra debaixo do tapete, que cria portas e trancas para o diferente, é o medo de não ter mais certeza alguma sobre nada, é o medo de entrar nesse espaço e de repente se dar conta de que você mesmo pode ser o seu Mestre e que pode começar a ouvir o seu coração e estender a sua compaixão e amor para todos os seres viventes, até mesmo para aqueles que o atacam por não concordarem com o seu jeito de viver e de se expressar mesmo que para isso, às vezes, você precise levantar a sua voz para não permitir que te esmaguem e te partam em pedacinhos difíceis de colar de novo.